Direto para a cama

O pediatra Moises Chencinski diz que a cama dos pais não é lugar de criança e explica como deve ser uma boa noite de sono para a garotada
Lia Lehr

Se você tem filho pequeno, é bem provável que já tenha vivido uma situação deste tipo: o bebê não dorme de jeito nenhum, mas como você teve um dia cheio, está exausta e não vê a hora de cair na cama, coloca a criança para dormir na sua cama. Depois, jura para você mesma que será apenas naquela noite, mas não é o que acontece. A situação se repete dia após dia e quando se dá conta, a criança já está instalada no seu quarto, dormindo no meio dos pais. Mais difícil ainda é fazer a criança se acostumar a dormir no quarto dela depois.

A dona de casa Bárbara Saleh sabe bem o que é isso. O filho dela, Kassen, de 1 ano e 9 meses, não conseguia dormir sozinho no quartinho dele, como foi mostrado no quadro “De Pais Para Filhos”, apresentado por Chris Flores no “Programa Hoje em Dia”. O pediatra e homeopata Moises Chencinski ajudou a solucionar o problema, dando dicas de como fazer o menino dormir melhor.

Se você vive situação semelhante na sua casa e não sabe mais o que fazer, leia a entrevista com o doutor Moises. Ele explica como é o sono do bebê e faz um alerta: lugar de criança não é na cama dos pais.

Na maioria das famílias, pai e mãe trabalham fora e precisam acordar muito cedo. Por conta disso, acabam cedendo quando o bebê começa a chorar e o levam para dormir na cama deles. Às vezes, prejudica até mesmo o relacionamento do casal. Como orientar os pais a não agirem errado?

“O ideal é sempre evitar que comece. As consultas pediátricas de rotina buscam conhecer qual a realidade dessas crianças para tentar intervir antes que os problemas sejam criados. Em um curso sobre psiquiatria infantil, ouvi uma frase que me marcou muito: “sempre que uma criança entra na cama dos pais e interfere na noite do casal, está na hora desse casal rever seu relacionamento”. À noite não foi feita para ficarmos abraçando as crianças. A noite está aí para que recobremos nossas energias. Quem é que dorme calmo e tem um sono repousante se, na mesma cama, há uma criança, um bebê que grita, geme, grunhe, ri, chora, na maioria imensa das vezes dormindo? Como dormir profundamente se, inconscientemente, a cada vez que nos viramos, acordamos assustados com medo de virar sobre o bebê e de ele sufocar”?

No caso das crianças que já se acostumaram a dormir na cama dos pais, de que forma incentivá-las a irem para o quartinho delas?
“Da mesma forma que eles foram estimulados a vir, devem ser orientados a não vir, serem levados de volta se acordarem à noite e aparecerem, de repente, na cama dos pais. Não vamos nunca conseguir escapar do ritual, de uma rotina para que crie uma situação confortável para que o bebê adquira seus bons hábitos em vários campos. Comer verduras, controlar fezes e urina, tomar banho, escovar os dentes, dormir são algumas das atividades que se tornam mais acessíveis às crianças se estamos junto delas, para compartilhar desses momentos”.

O recém-nascido não consegue diferenciar noite e dia. Apesar disso, como ele costuma dormir muito, é recomendado fechar a veneziana do quarto, ou ele pode descansar mesmo com claridade durante o dia?

“Assim como o recém-nascido só mama quando tem fome, urina e evacua quando sente necessidade, ele dorme quando tem sono. O recém-nascido, quando dentro de sua rotina, dorme no claro, no escuro, no silêncio, no barulho, sozinho ou cercado por muita gente em uma festa, sem qualquer problema.
O mais importante é iniciar uma rotina, um ritual que possa ser mantido e repetido, independente da sua idade. Com o tempo, alguns estímulos podem fazer com que essa rotina seja modificada. Assim, o mais importante é observar o bebê e respeitar sua evolução”.

Na maternidade, somos informados que o bebê costuma mamar a cada três horas. À noite, se o bebê estiver dormindo tranquilo, devemos acordá-lo para dar de mamar ou deixá-lo quietinho?

“Com o tempo, o bebê vai estabelecer uma rotina em que ele mamará de dia e dormirá à noite. E ele é capaz de atingir esse objetivo muito antes do que imaginamos (entre os 3 e os 6 meses, por exemplo).
O bebê tem 3 formas básicas de reagir. Se está tudo bem, ou ele está acordado e calmo ou dormindo. Se não estiver bem, ele irá chorar. Assim, se ele está esticando o horário à noite, a não ser que haja uma orientação médica para isso, é melhor deixá-lo dormir. Se ele tiver fome, ele não dorme”.

Alguns pais colocam a criança para assistir TV e ela acaba criando o hábito de dormir com a televisão ligada. Como corrigir isto depois?

“Se fizermos 10 vezes a mesma coisa, há grandes chances de termos 10 vezes os mesmos resultados. Se nós não gostamos dos resultados, temos que mudar nossas atitudes.
Nós não temos compromisso com o erro. Esse não é um bom hábito a ser instituído. Se acabar a luz, então a criança poderá ter mais dificuldades para adormecer?
Não nascemos sabendo dormir. É importante que se estabeleça um ritual de adormecimento. Cada família tem sua rotina e isso pode trazer algumas mudanças, mas a essência é a mesma. À noite, necessitamos diminuir o ritmo, até porque nosso metabolismo também “diminui”, recuperando as energias para um próximo dia.
Uma ideia é diminuir o ritmo já após o jantar. Um banho pode ser uma ótima ideia. Depois, uma historinha ou alguma atividade onde os pais possam retribuir a atenção solicitada pelos seus filhos, mas sem excitá-los ou agitar mais ainda sua noite”.

É recomendado dar banho antes de dormir para relaxar ou o banho pode despertar a criança e deixá-la ainda mais agitada?

“É importante conhecer cada criança. Na maioria das vezes, o banho ajuda a relaxar a criança. Nesse caso, o banho pode ser dado à noite. Se a criança toma banho e desperta, melhor dar esse banho de dia. A questão está em conhecer, observar e vivenciar com nossos filhos as suas expectativas, sua evolução. Eles nos mostrarão o caminho”.

Saiba mais sobre o assunto com o entrevistado Dr Moises Chencinskiwww.doutormoises.com.br





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