Resolvendo de vez a questão do desmame

Cuidar de um bebê não é fácil. Ainda mais se já não é o primeiro filho, e a mãe sozinha tem que dar conta de tudo.

Se você ainda precisa de referências básicas sobre amamentação e cuidados com a alimentação do bebê, leia esta Cartilha da Saúde da Criança: Nutrição Infantil e a referência do site da UNICEF Brasil.

Nós mulheres, na grande maioria, embarcamos na gestação e maternidade envoltas ainda por sonhos, ideias que nos acompanham desde a infância, mas que bem sabemos, não têm a cor e o cheiro da realidade que iremos enfrentar.

A solidão da mulher nessa hora, as transformações em seu corpo e em sua rotina, a insegurança, a falta da presença do pai como gostaríamos e necessitaríamos, tudo acaba influenciando em como encaramos os desafios da maternidade.

O desmame é um dos temas que atualmente acabam por diminuir ainda mais a autoestima das mães. Hoje uma mãe que, por algum motivo, resolve desmamar seu bebê aos seis meses, sente necessidade de vir a público se justificar. Terrorismo é sempre terrorismo, não existe terrorismo do bem.

Portanto, respeitemos as necessidades básicas sugeridas pelos órgãos oficiais de saúde, respeitemos opiniões pessoais, e vamos apoiar também essas mães que estão infelizes por não conseguirem desmamar seus bebês. Os motivos para essa conduta  são seus, e portanto, válidos.

Há sugestões expressas de forma mais extensa no artigo Amamentação consciente, desmame pacífico, e como o tema é abrangente, desejo aqui complementar o raciocínio levantando alguns pontos para reflexão:

  • Há na internet vários esquemas mirabolantes para o desmame, aos quais você pode até já ter tentado implementar. Alguns têm sucesso, outros não. Você pode também, fazer uma coleta de frases de relatos e vídeos, que poderiam causar espanto e desconforto para alguns. De tudo isso, acredito que você esteja ciente de quase tudo!Então, como esses dados poderão influenciar positivamente minhas atitudes quanto ao desmame de meu filho? Como dessa vez fazer escolhas que darão certo?
  • Dizer que seu filho é “viciado” no seio acaba sendo uma forma de expressar como ele não consegue viver sem você. Só que uma criança de dois ou três anos pode receber outros “alimentos” muito ricos, mais adequados para alguém que está se abrindo para o mundo;
  • Não cabe à criança decidir sobre o tipo e a frequência de sua alimentação, pois ela precisa contar com a experiência e bom senso dos pais. Esses têm que protegê-la de possíveis privações ou excessos: se a criança está com cáries, é preciso investir imediatamente em bons hábitos de higiene e alimentação;
  • Manifestar presença, amor e carinho, sim. Prejudicar a saúde da criança não. Sabia que há crianças que engordam 2,5kg durante um mês de tratamento dentário? Crianças de 2 anos de idade? A criança normalmente sente um desconforto, que não reconhece como dor de dente, o que acontece muitas vezes com adultos, que não conseguem dizer se é dente doendo, ou dor de ouvido, se é um dente superior ou inferior. Quando a criança recebe tratamento dentário, a mãe conhece outro filho, mais alegre e nada irritadiço;
  • As camas compartilhadas, em que o seio fica disponível para a criança a noite toda, não ajudam. As pessoas dizem que seus bebês chegam a acordar dez vezes por noite, ou passam a noite toda mamando, e tudo bem. Se optar pela cama compartilhada, higienize os dentes de seu bebê, do contrário ele corre o risco de ter cáries.

As mães se referem a um “descontrole” sob vários aspectos, na hora do desmame. Quando elas implementam algumas sugestões, escuto frequentemente: “Dra, eu estava no automático.”

É disso que estamos falando: sair do automático, e expressar amor oferecendo um mundo bom para seu filho. (sugestão de leitura: O primeiro setênio )

Desejo com essas colocações sobre o desmame, mostrar novas possibilidades. Essas não são as mais simples, mas são únicas na medida em que pedem a real presença dos pais. Pedem uma postura, pedem ação.



4 Comentários para “Resolvendo de vez a questão do desmame”

  1. Gabriela:

    Não entendi a perplexidade em relação à cama compartilhada. É só por conta da higienização dos dentes? Isso é tão fácil!

    • Dra Carmem Silvia:

      Gabriela,

      Dr. Moises aborda com esse artigo vários aspectos da cama compartilhada. Resolvemos publicar o post, como incentivo para que todos saibam que tudo pode ter vários aspectos.
      Para a maioria das mães a higiene após as mamadas não é tão fácil ou não está clara a necessidade de tal ato, na maioria das vezes! E as conseqüências são devastadoras para os bebês.
      Escuto que as mães nem sabem quantas vezes a criança mamou, pois a mãe estava adormecida!
      Portanto, nosso convite é para que as mães reavaliem sempre suas escolhas com informações que tragam tranquilidade e segurança. E que façam da amamentação uma experiência de troca de amor além do essencial alimento físico. Com consciência.
      Parabéns pela clareza e obrigada pela participação!

      Carmem Silvia

  2. Jaqueline;:

    Meu filho vai fazer 03 aninhos e ainda não consegui desmama-lo,,já está com cárie,levei-o para fazer um orçamento e diga-se de passagem deu muito trabalho só pra avaliação.Estou me sentindo culpada e fico mais ansiosa do que ele na hora de leva-lo ao dentista.



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